Quem nunca se perguntou isso, não é mesmo? Afinal é uma baita tentação poder invadir a Casa da Moeda e sair distribuindo montantes de dinheiro para tudo mundo. Ainda mais quando se sabe que, para cada nota impressa, o custo chega a apenas nove centavos, uma mixaria se a nota em questão for de cinqüenta, ou 100 reais... Mas então porque os Governos do mundo todo não podem fazer isso nesses tempos de crise econômica onde empréstimos calculados em bilhões costumam deixar as reservas monetárias de vários países com alguns zeros a menos?
O motivo não é tão complicado de entender. Vamos para um exemplo bem simples. Imagine que algum produto, um saco de arroz, por exemplo, custasse 5 reais. E cada pessoa recebesse exatos cinco reais para comprar esse saco de arroz. Se, de repente, a população recebesse ao invés de cinco, quinze reais, logo os vendedores de arroz saberiam que o poder aquisitivo é maior, mas o número de consumidores e da produção de arroz não, e também aumentariam o preço do produto. Em outras palavras, criar dinheiro do nada, e sair distribuindo-o por aí, gera inflação, porque desvaloriza a moeda. Você já deve ter visto que, em alguns lugares do mundo, onde a produção de alimentos é muito baixa, sobram notas de dinheiro e a população precisa de sacos cheios de notas para pagar uma simples compra.
Se a receita de produzir dinheiro em segredo fosse tão simples vários países teriam a adotado. O problema que, além do risco de desvalorização pelo comércio local, medidas de segurança, como uma intensa fiscalização de órgãos do mercado financeiro mundial, são utilizadas para saber aonde o dinheiro produzido pelos países está sendo empregado. No caso do Brasil, a produção da Casa da Moeda é fiscalizada pelo Congresso, pelo Banco Central e pasme, por você. A cada três meses é divulgado um relatório que mostra a quantidade de produção monetária no site do BC, ele é de acesso livre, e visto com freqüência por investidores brasileiros.
Cédula com 'caracteres estranhos', segundo o site do BC. Hoje, produção de notas é só para substituição.
Hoje, a menor parte da produção de dinheiro na Casa da Moeda vai para empresas e para o Governo, em pagamentos, empréstimos, e compras de novas estruturas, a maior parte da produção de cédulas visa substituir notas velhas por outras novinhas. Com tantos prejuízos e tantos cercos para furar, o risco de produzir dinheiro sem um crescimento sustentável da economia acaba virando dor de cabeça. É melhor você ficar contente, e segurar bem os seus cinco reais.
