segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Quem quer dinheiro?

Por que o Brasil não produz mais dinheiro quando precisa?

Quem nunca se perguntou isso, não é mesmo? Afinal é uma baita tentação poder invadir a Casa da Moeda e sair distribuindo montantes de dinheiro para tudo mundo. Ainda mais quando se sabe que, para cada nota impressa, o custo chega a apenas nove centavos, uma mixaria se a nota em questão for de cinqüenta, ou 100 reais... Mas então porque os Governos do mundo todo não podem fazer isso nesses tempos de crise econômica onde empréstimos calculados em bilhões costumam deixar as reservas monetárias de vários países com alguns zeros a menos?

O motivo não é tão complicado de entender. Vamos para um exemplo bem simples. Imagine que algum produto, um saco de arroz, por exemplo, custasse 5 reais. E cada pessoa recebesse exatos cinco reais para comprar esse saco de arroz. Se, de repente, a população recebesse ao invés de cinco, quinze reais, logo os vendedores de arroz saberiam que o poder aquisitivo é maior, mas o número de consumidores e da produção de arroz não, e também aumentariam o preço do produto. Em outras palavras, criar dinheiro do nada, e sair distribuindo-o por aí, gera inflação, porque desvaloriza a moeda. Você já deve ter visto que, em alguns lugares do mundo, onde a produção de alimentos é muito baixa, sobram notas de dinheiro e a população precisa de sacos cheios de notas para pagar uma simples compra.

Se a receita de produzir dinheiro em segredo fosse tão simples vários países teriam a adotado. O problema que, além do risco de desvalorização pelo comércio local, medidas de segurança, como uma intensa fiscalização de órgãos do mercado financeiro mundial, são utilizadas para saber aonde o dinheiro produzido pelos países está sendo empregado. No caso do Brasil, a produção da Casa da Moeda é fiscalizada pelo Congresso, pelo Banco Central e pasme, por você. A cada três meses é divulgado um relatório que mostra a quantidade de produção monetária no site do BC, ele é de acesso livre, e visto com freqüência por investidores brasileiros.


Cédula com 'caracteres estranhos', segundo o site do BC. Hoje, produção de notas é só para substituição.

Hoje, a menor parte da produção de dinheiro na Casa da Moeda vai para empresas e para o Governo, em pagamentos, empréstimos, e compras de novas estruturas, a maior parte da produção de cédulas visa substituir notas velhas por outras novinhas. Com tantos prejuízos e tantos cercos para furar, o risco de produzir dinheiro sem um crescimento sustentável da economia acaba virando dor de cabeça. É melhor você ficar contente, e segurar bem os seus cinco reais.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Convivendo com os riscos do mercado

Nos últimos dias o mundo viveu momento de grande volatilidade em seus respectivos mercados de capitais. Quando se pretendia ouvir as notícias da mídia, o que mais ecoava eram informações distorcidas e algumas sem fundamento e felizmente, embora em menor número, informações que eram fundamentadas nos verdadeiros preceitos dos mercados do dinheiro.

Mercado este que pode ser dividido em mercado de crédito, mercado de câmbio, mercado de títulos e mercado de capitais. A origem de todo o problema veio de uma parcela do mercado de crédito da locomotiva do mundo, os EUA, que na sua tradicional história de ser uma nação altamente consumista e que privilegia esta cultura, mesmo para o segmento de sua sociedade de alto risco, ou sub-prime, como é conhecido no jargão do mercado financeiro internacional, teve que realizar um verdadeiro ajuste de suas posições o que respingou em todo o mercado financeiro global.

A autoridade monetária dos EUA (Federal Reserve) em conjunto com a autoridade monetária das grandes nações, sobretudo aquelas que tinham em seus leques opções do mercado financeiro lastreadas nos títulos do mercado sub-prime, foram obrigadas a socorrerem seus mercados através da liberação de linhas de crédito em valores vultosos (superior a U$ 80 bilhões) para evitar um efeito dominó ainda maior nos demais mercados de capitais do mundo.
Diante do ocorrido, podemos grifar algumas lições:

  1. Todo movimento de ascensão pode ocasionar movimentos de queda, ou como diz o dito popular “tudo que sobe, desce”;
  2. Risco é a contrapartida da oportunidade. Isso ficou claro no rendimento acumulado obtido em diversos ativos listados em bolsa e do ganho obtido pelos agentes financeiros assim como os cidadãos americanos de alto risco com a valorização de seus imóveis no período de bonança do mercado;
  3. O mundo está mais preparado o risco. Essa dinâmica ficou evidente no curto espaço de tempo que os principais índices de bolsa do mundo (Dow Jones, Nasdaq, FTSE 100,Nikkei, Dax, Frankfurt, Ibovespa, Merval, entre outros) quase já recuperam seus valores antes do estouro da crise em meados de agosto.
  4. Os melhores investidores da bolsa são aqueles que conseguem comprar quando os ativos estão com suas menores cotações e vender quando os mesmos apresentam as maiores cotações possíveis. Na teoria é fácil, mas ninguém é tão bom assim.
  5. Diversificar é a melhor maneira de evitar conviver com risco elevado. Essa afirmação deriva do velho ditado de finanças “Never put all eggs in the same basket”.
  6. O mercado de capitais nada tem a ver com os jogos de cassino ou de azar como queira chamar. Em jogos de azar, se ganha ou perde e um apostador não é proprietário do cassino ou do monopólio estatal das loterias. Já no mercado de capitais, um pequeno acionista é um pequeno proprietário da companhia e, dificilmente ele irá perder todo o valor investido.

Diante deste cenário, eu continuo recomendando investimentos conscientes no mercado de capitais como a melhor maneira protegermos das suas oscilações, e seguir o seu famoso tripé: para investidores incipientes, investir um pequeno percentual de suas reservas (no máximo 20 %), vislumbrar o longo prazo e apostar em cias. sólidas e que participam de boas políticas de governança.

sábado, 14 de abril de 2007

Cenário favorável a fontes alternativas

Atualmente o mundo consome em média 79 milhões de barris/dia e os 10 maiores consumidores mundiais em ordem decrescente são: Estados Unidos (26%), Japão (7%), China (6,5%), Alemanha (3,8%), Rússia (3%), Canadá (2,9%), Brasil (2,7%), Índia (2,7%), Coréia do Sul (2,69%) e França (2,63%). Pelos números observa-se que de cada 100 barris de petróleo consumidos diariamente, em média 26 são dos Estados Unidos da América.

Dentre as grandes economias mundiais, com exceção da Rússia e da Noruega, o Brasil é uma das poucas que serão em breve auto-suficientes. Todas as grandes economias do mundo contemporâneo são dependentes do petróleo importado, a exemplo dos Estados Unidos, do Japão e da China, que em menos de cinco anos saiu de uma condição de exportadora de 500 mil barris diários para importadora de 6 milhões de barris diários, fruto do crescimento econômico.

No Brasil, a oferta do petróleo e seus derivados está quase que centrada nas mãos da “nossa” Petrobras e isso pode, em alguns momentos, ser bom ou ruim para quem paga a conta toda na bomba de combustível ou em outro canal de venda.
Quando ocorre um aumento do petróleo, o consumidor final sente o impacto quase que de imediato no seu orçamento familiar. As empresas por sua vez tenderão a repassar esse aumento para seus preços. Já o governo vê os reflexos no aspecto econômico, pois ainda somos importadores líquidos de petróleo, o repercute na balança comercial do País e pressiona o índice de inflação, fazendo com que o Banco Central – enquanto gestor da política monetária do país – eleve os juros, ainda que sejamos campeões mundiais de

Caso haja mais aumentos até o final do ano, poderemos ter impactos no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o índice utilizado pelo Banco Central para acompanhamento dos objetivos estabelecidos no sistema de metas de inflação, e o Banco Central poderá lançar mão de instrumentos não muito bem vistos pela sociedade para atingir o objetivo estipulado pela meta inflacionária.
A Petrobras por sua vez argumenta que quanto mais alto o valor do barril de petróleo melhor para o País, já que se prevê que em 2010 aumentaremos a produção de 1,7 milhões de barris/dia para 2,3 milhões de barris/dia, o que projeta uma sobra de 400 a 500 mil barris diários. Assim sairemos da condição de importador líquido para a condição de exportador líquido.

A preços atuais, isso representará uma receita de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões por ano, enquanto para este ano está previsto que a conta petróleo custará de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões líquidos para o Brasil. E, segundo Raul Campos, gerente de relações com investidores da Petrobras, isso já ocorrerá a partir de 2006 e tende a se acentuar nos próximos cinco a dez anos.

Vendo por outra ótica toda esta oscilação dos preços, o elo mais fraco deste complexo (consumidores e empresas) já vem procurando formas alternativas de se livrar dos incômodos aumentos. Já é uma realidade nacional o carro flex, que se locomove tão bem com gasolina como com o nosso velho conhecido produto made in brazil, o álcool, que atualmente apresenta um preço médio entre 50% a 60% do preço do litro da gasolina e já representa quase 30% da nossa frota atual de veículos.
Embora as regras do jogo sejam ditadas pelas grandes economias produtoras e exportadoras de petróleo, vivemos em um cenário onde outras fontes alternativas vêm ganhando terreno, como o biodiesel, o gás natural e o próprio álcool.
Somado a isso, temos de notar que a produção mundial de petróleo está na casa de 80 milhões de barris/dia e o Brasil contribui com algo em torno de 2,25% desse total.

Se olharmos os dez principais países produtores de petróleo mundial (Arábia Saudita, Rússia, Estados Unidos, Irã, México, China, Noruega, Canadá, Venezuela e Nigéria) teremos um porcentual próximo de 60% do total produzido diariamente no mundo atual.
Ainda que consumidores e empresas sejam os menos favorecidos nesse processo todo, podemos observar que uma vez mais o famoso “jeitinho brasileiro” vem fazendo a diferença. E um dos salvadores da pátria encontra-se bem mais próximo e já fora o nosso primeiro e principal ciclo de produção: o ciclo da cana-de-açúcar.